Balsamo-do-Caparaó (Cotyledon orbiculata )

Cotyledon orbiculata - Uma Visão Abrangente sobre suas Características e Potencial Etnofarmacológico


1. Classificação Taxonômica e Nomenclatura

A Cotyledon orbiculata é uma espécie suculenta pertencente à família Crassulaceae. Sua classificação botânica, conforme a taxonomia moderna, é a seguinte:

  • Reino: Plantae

  • Divisão: Magnoliophyta

  • Classe: Magnoliopsida

  • Ordem: Saxifragales

  • Família: Crassulaceae

  • Gênero: Cotyledon

  • Espécie: C. orbiculata L.

A autoridade botânica L. refere-se a Carl Linnaeus, que foi o primeiro a descrever formalmente a espécie. A planta é amplamente conhecida por nomes populares como "orelha de porco", "orelha de elefante" ou "pig's ear" em inglês, devido ao formato de suas folhas.

2. Origem, Habitat e Características Morfológicas

Nativa da África do Sul, a Cotyledon orbiculata tem uma vasta distribuição em diversas regiões do país, incluindo áreas rochosas, pastagens e o semiárido Karoo. Sua adaptação a ambientes áridos é evidente em suas características morfológicas:

  • Hábito: É um arbusto suculento que pode atingir até 1,3 metro de altura.

  • Folhas: As folhas são a característica mais distintiva da espécie. São espessas, carnudas e opostas, podendo variar em forma (ovalada, espatulada) e cor (de verde-cinzento a azul-acinzentado, frequentemente com uma margem avermelhada). Uma camada cerosa e esbranquiçada (pruína) cobre a superfície, ajudando a refletir o sol e a reduzir a perda de água.

  • Flores: Produz hastes florais longas e eretas, que carregam cachos de flores pendentes em forma de sino ou tubular. A cor das flores é geralmente alaranjada ou avermelhada, embora existam variedades amarelas. A floração ocorre principalmente no inverno, atraindo beija-flores e insetos polinizadores.

3. Composição Fitoquímica e Toxicidade

A pesquisa fitoquímica da Cotyledon orbiculata revelou a presença de diversos compostos bioativos, com destaque para:

  • Bufadienolídeos: São os principais componentes responsáveis pela toxicidade da planta. Esses glicosídeos cardíacos, como a cotiledosina, são potentes e podem ser tóxicos para o gado, causando uma doença neurológica conhecida como "krimpsiekte" (doença do encolhimento).

  • Flavonoides e Fenólicos: A presença de flavonoides e compostos fenólicos confere à planta propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

  • Outros Compostos: Também foram identificados saponinas, taninos e triterpenos, que contribuem para as atividades biológicas da planta.

4. Usos Etnofarmacológicos e Propriedades Terapêuticas

O uso tradicional da Cotyledon orbiculata na medicina popular sul-africana é vasto e abrange uma série de aplicações, principalmente tópicas. Estudos científicos têm buscado validar esses usos:

  • Anti-inflamatório e Cicatrizante: As folhas aquecidas são utilizadas como cataplasmas para tratar furúnculos, abcessos e outras inflamações. O extrato da planta demonstrou inibir a produção de citocinas pró-inflamatórias, validando seu uso anti-inflamatório.

  • Antimicrobiano: Pesquisas indicam que a C. orbiculata possui atividade antimicrobiana e antifúngica contra patógenos comuns da pele, como o Staphylococcus aureus e a Candida albicans.

  • Tratamento de Calos e Verrugas: A parte carnuda das folhas é aplicada diretamente sobre calos e verrugas para amaciá-los e removê-los, uma prática tradicional amplamente difundida.

  • Propriedade Anticonvulsivante: Na medicina tradicional, o suco da folha foi utilizado para tratar a epilepsia. Estudos preliminares em modelos animais sugerem um efeito anticonvulsivante, mas essa aplicação requer cautela extrema devido à toxicidade dos bufadienolídeos.

5. Conclusão

A Cotyledon orbiculata é uma planta de grande interesse etnofarmacológico, com um rico histórico de uso medicinal que a ciência moderna está começando a explorar. Suas propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas a tornam uma candidata promissora para o desenvolvimento de fitoterápicos tópicos. No entanto, a presença de bufadienolídeos ressalta a importância de uma pesquisa aprofundada sobre a dosagem segura e os efeitos adversos. O uso interno da planta deve ser evitado ou realizado sob estrita supervisão médica, destacando a importância da conscientização sobre os riscos e benefícios de plantas com alto potencial tóxico.



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