Plantas Medicinais - Saiao (Kalanchoe brasiliensis)


Kalanchoe brasiliensis Cambess.: Revisão Botânica, Etnofarmacológica e Potencial Medicinal


Resumo

Kalanchoe brasiliensis Cambess., popularmente conhecida como saião-brasileiro, folha-da-fortuna-brasileira ou coirama, é uma planta suculenta pertencente à família Crassulaceae. Espécie nativa do Brasil, destaca-se pelo uso frequente na medicina popular como agente anti-inflamatório, cicatrizante e gastroprotetor. O presente artigo reúne informações sobre sua classificação botânica, origem, descrição morfológica, propriedades medicinais e perspectivas terapêuticas, visando contribuir para a valorização e estudo farmacológico dessa espécie.


Classificação Científica

  • Reino: Plantae

  • Clado: Angiospermas

  • Clado: Eudicotiledôneas

  • Ordem: Saxifragales

  • Família: Crassulaceae

  • Gênero: Kalanchoe

  • Espécie: Kalanchoe brasiliensis Cambess.


Origem e Distribuição

Kalanchoe brasiliensis é nativa do Brasil, ocorrendo principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, em áreas de cerrado, caatinga e mata atlântica. Seu nome popular “saião-brasileiro” serve para diferenciá-la de Kalanchoe pinnata, espécie exótica originária de Madagascar e amplamente cultivada no país.


Descrição Morfológica

  • Hábito: Planta herbácea, suculenta, podendo atingir até 2 metros de altura.

  • Folhas: Opostas, carnosas, ovadas a oblongo-lanceoladas, com margens geralmente lisas ou discretamente onduladas; coloração verde a verde-acinzentada, frequentemente com manchas avermelhadas.

  • Caule: Ereto, suculento e ramificado.

  • Inflorescência: Em panículas terminais, com flores tubulares avermelhadas ou alaranjadas.

  • Sementes: Pequenas, produzidas em cápsulas.


Usos Tradicionais e Etnofarmacologia

Na medicina popular brasileira, K. brasiliensis é utilizada principalmente em preparações caseiras, como chás, sucos, cataplasmas e extratos alcoólicos, para tratar:

  • Inflamações em geral (externas e internas)

  • Feridas e queimaduras (uso tópico)

  • Distúrbios gástricos (úlceras, gastrite e azia)

  • Doenças respiratórias (tosse, bronquite e asma)

  • Dor e febre


Constituintes Químicos

Estudos fitoquímicos revelaram a presença de diversos metabólitos bioativos, incluindo:

  • Flavonoides (quercetina, kaempferol, luteolina)

  • Glicosídeos flavônicos

  • Taninos

  • Saponinas

  • Triterpenos

Esses compostos são relacionados às atividades anti-inflamatória, antioxidante e cicatrizante da espécie.


Propriedades Medicinais Confirmadas em Estudos

Pesquisas farmacológicas sugerem que K. brasiliensis apresenta:

  • Atividade anti-inflamatória: Inibição de mediadores inflamatórios.

  • Ação cicatrizante: Estímulo à regeneração tecidual.

  • Efeito gastroprotetor: Redução de lesões gástricas induzidas experimentalmente.

  • Atividade antimicrobiana: Ação contra bactérias e fungos patogênicos.

  • Ação antioxidante: Capacidade de neutralizar radicais livres.


Considerações de Segurança

Embora amplamente utilizada na medicina tradicional, há relatos de que algumas espécies de Kalanchoe contêm glicosídeos cardiotóxicos, especialmente em animais de criação. Por isso, a utilização deve ser cautelosa e preferencialmente supervisionada por profissionais de saúde.


Conclusão

Kalanchoe brasiliensis é uma espécie de grande relevância etnobotânica e farmacológica no Brasil, destacando-se por sua ampla utilização popular no tratamento de inflamações, feridas e distúrbios gastrointestinais. Apesar dos resultados promissores, são necessários mais estudos clínicos controlados para comprovar sua eficácia e segurança em seres humanos. O aprofundamento na investigação de seus compostos bioativos pode contribuir para o desenvolvimento de fitoterápicos eficazes e acessíveis.


Referências Bibliográficas (seleção)

  • Almeida, F. C. G. et al. (2012). Kalanchoe brasiliensis: usos populares, constituintes químicos e atividades biológicas. Revista Brasileira de Plantas Medicinais.

  • Lorenzi, H.; Matos, F. J. A. (2008). Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2ª ed. Instituto Plantarum.

  • Silva, V. C. et al. (2014). Atividades farmacológicas de espécies do gênero Kalanchoe (Crassulaceae). Revista Brasileira de Farmacognosia.



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