Quina do cerrado (Strychnos pseudoquina)


Strychnos pseudoquina A. St.-Hil. (Quina do Cerrado): Revisão Botânica, Etnofarmacológica e Potencial Terapêutico


Resumo

A Strychnos pseudoquina A. St.-Hil., popularmente conhecida como quina do cerrado, é uma espécie arbórea pertencente à família Loganiaceae, nativa do bioma Cerrado brasileiro. Tradicionalmente utilizada na medicina popular como tônico amargo, febrífugo, antimalárico e cicatrizante, a planta tem despertado interesse científico pela presença de compostos bioativos com atividades farmacológicas relevantes. Este artigo reúne informações sobre sua classificação, distribuição geográfica, descrição morfológica, usos etnobotânicos, constituintes químicos e propriedades medicinais, além de discutir sua importância ecológica e riscos associados ao extrativismo.


Classificação Científica

  • Reino: Plantae

  • Ordem: Gentianales

  • Família: Loganiaceae

  • Gênero: Strychnos

  • Espécie: Strychnos pseudoquina A. St.-Hil.


Origem e Distribuição

  • Espécie endêmica do Brasil, com ocorrência predominante no bioma Cerrado, especialmente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Bahia.

  • É encontrada em áreas de cerrado stricto sensu, cerradão e campos rupestres, adaptada a solos ácidos e pobres em nutrientes.

  • Por sua relevância medicinal, a espécie sofre intensa pressão extrativista, o que ameaça populações naturais.


Descrição Morfológica

  • Hábito: Árvore ou arbusto, podendo atingir 6 a 10 metros de altura.

  • Casca: Espessa, acinzentada a marrom, muito utilizada para fins medicinais.

  • Folhas: Simples, opostas, coriáceas, verdes brilhantes, de formato elíptico a ovado.

  • Flores: Pequenas, esbranquiçadas a amareladas, dispostas em inflorescências axilares.

  • Frutos: Bagas globosas, de cor verde quando jovens e amareladas na maturação.


Usos Tradicionais e Etnofarmacologia

Na medicina popular, a casca da S. pseudoquina é utilizada principalmente na forma de infusão ou decocção, sendo indicada para:

  • Tratamento da malária e febres intermitentes.

  • Tônico amargo, estimulante do apetite e digestivo.

  • Problemas hepáticos e gastrointestinais.

  • Tratamento de feridas e úlceras cutâneas.

  • Redução de inflamações.


Constituintes Químicos

A espécie apresenta uma diversidade de metabólitos secundários, entre os quais destacam-se:

  • Alcaloides indólicos e monoterpênicos (derivados da estricnina, em concentrações mais baixas que em outras espécies do gênero).

  • Flavonoides (quercetina, rutina).

  • Taninos condensados.

  • Saponinas.

  • Compostos fenólicos com potencial antioxidante.


Atividades Farmacológicas Relatadas

Estudos experimentais evidenciam propriedades medicinais promissoras:

  • Atividade antimalárica (in vitro e in vivo), justificando seu uso tradicional.

  • Ação cicatrizante em feridas cutâneas, acelerando a regeneração tecidual.

  • Atividade anti-inflamatória, com redução de mediadores inflamatórios.

  • Efeito antioxidante, associado à presença de flavonoides e fenóis.

  • Ação gastroprotetora e hepatoprotetora, prevenindo lesões no fígado e no estômago.


Considerações de Segurança

  • Algumas espécies do gênero Strychnos contêm estricnina, substância altamente tóxica; na S. pseudoquina essa concentração é baixa, mas ainda requer precaução.

  • O uso em doses elevadas pode ocasionar efeitos adversos neurológicos e digestivos.

  • Recomenda-se que seu uso seja orientado por profissionais de saúde e não feito de forma indiscriminada.


Conservação e Sustentabilidade

A coleta intensiva da casca para uso medicinal ameaça a sobrevivência natural da espécie. Estratégias como cultivo sustentável, uso de partes alternativas da planta (como folhas) e políticas de manejo são necessárias para evitar sua extinção local.


Conclusão

Strychnos pseudoquina é uma espécie de grande valor etnobotânico e farmacológico no Cerrado brasileiro. Seus constituintes químicos conferem atividades terapêuticas importantes, principalmente como antimalárico, anti-inflamatório e cicatrizante. Contudo, a utilização deve ser acompanhada de estudos clínicos para comprovar segurança e eficácia em humanos. Além disso, medidas de conservação são urgentes, visto que a pressão extrativista coloca em risco populações naturais da planta.

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